Projeto Axé Brasil

Axé è ArtEducação

Educação de Rua realiza trabalho essencial durante a pandemia

Durante os 30 anos de atuação do Projeto Axé a Educação de Rua vem realizando um trabalho diuturno e permanente com crianças, adolescentes, jovens e seus familiares. Ao longo deste processo de construção de saberes e conhecimentos sobre as dinâmicas da condição existencial de rua, observou-se uma característica muito importante sobre o trabalho do educador social de rua: a sua dialética do Desejo.

Em sua convivialidade cotidiana com a população em situação de rua, os educadores buscam condições para criar laços autênticos com esses sujeitos, para que seja possível captar as histórias de vidas, entender as suas expectativas e projetos existenciais, observando-se o potencial desejante dessas pessoas, ouvindo-os em sua totalidade e realizando um trabalho de escuta humana e cidadã.

Para fazer isso, o educador precisa abandonar os seus preconceitos, colocando-se numa posição de identificação com a criança, adolescente e jovem, mas, sem jamais perder a sua individualidade. Nesse percurso é que acontece a Pedagogia do Desejo, que inclui três etapas: a) a paquera pedagógica; b) o namoro pedagógico e; c) o aconchego pedagógico. É sob essa tríade que se dá a relação do educador com esses sujeitos, construindo-se a vida necessária para processo arteducativo.

Ao longo dos últimos meses este trabalho se tornou ainda mais necessário e importante para o oferecimento de atendimentos com qualidade às pessoas em situação de rua, risco e vulnerabilidades. Portanto, o trabalho da Educação de Rua é caracterizado com uma atividade fundamental no alcance de direitos básicos e um processo relevante para a emancipação e formação de sujeitos críticos e autônomos.

Conforme Decreto nº 10.282, de 20 de marco de 2020, que regulamenta a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, a Assistência Social e o atendimento à população em estado de vulnerabilidade constam da relação dos serviços públicos e atividades essenciais, o que inclui serviços destinados ao atendimento de pessoas em situação de rua, cuja continuidade deve ser assegurada no contexto da pandemia.