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Escola de Mães encerra ciclo formativo sobre Racismo e Fascismo

Desde setembro retomamos as atividades da Escola de Mães. Por força da Pandemia, a ação foi realizada modalidade virtual através da plataforma Google Meet, nesta oportunidade a socióloga e arteducadora Marle Macedo foi convidada para realizar com os familiares/responsáveis e educandos na maior idade um debate profundo sobre temas pertinentes e atuais.

Os temas foram organizados em 08 encontros, no primeiro momento debateu-se o “Racismo” em 04 reuniões e o tema “Fascismo” nos 04 encontros seguintes. Mesmo com a dificuldade de acesso à internet e incompatibilidade de aparelhos celulares com a plataforma, o número de participação foi considerável, com uma média de 180 participantes por encontro.

No ciclo sobre o “Racismo” no Brasil, Marle Macedo tratou da historicidade da questão racial, elaborando um pensamento a partir dos estudos coloniais, passando pelas ideologias de branqueamento, as condições impostas de um trabalho escravo e desumano até as revoltas e a origem dos quilombos como sinal de resistência e tentativa de liberdade. Após a mudança dos meios de produção com a chegada da era industrial e da pressão dos outros países para o fim da escravidão, os negros passaram de objetos de exploração para seres marginalizados e excluídos, sem trabalho, moradia e condições mínimas de sobrevivência.

Na segunda fase do ciclo formativo, com o tema “Fascismo”, houve uma contextualização histórica, observando-se o conceito semântico do termo e seus desdobramentos. Os ciclos formativos deram conta de demonstrar que Fascismo é extremamente autoritário, baseado na exclusão social, portanto, hierárquico e bastante elitista. Tem sua origem na Itália liderado por Benito Mussolini que depois se espalha e se torna a inspiração para outras ideologias como a nazista de Adolf Hitler na Alemanha.

Com a Escola de Mães um novo movimento também tem crescido que é o da solidariedade. Por ser um encontro virtual em que se precisa ter um aparelho celular compatível ao aplicativo, bem como, o acesso à internet e a grande maioria do nosso público atendido não dispõem desse recurso, assim, as famílias que o possuem tem compartilhado com aquelas que nada têm. Essa união tem proporcionado um crescimento incrível não só na participação das famílias, mas também no alcance de pessoas antes excluídas de informação e tecnologia.

 

Alguns depoimentos de responsáveis:

 

“…é muito emocionante ouvir fala sobre a escravidão. Infelizmente hoje ainda existem pessoas que se permite ser escravizada por falta de conhecimento. Obrigada a todos vocês por nos incentivar a conhecermos nossa história e buscarmos nossos direitos” – Micheline Monteiro de Santana (43 anos, mãe de educando)

 

“Eu não sabia que as favelas surgiram através dos Negros do quilombo. Muito agradecida em aprender com vocês sobre os negros e sobre escravidão. Tenho orgulho da minha cor. A minha família toda é negra. Obrigada em trazer um pouco da nossa raça” – Roseane Jesus da Conceição (24 anos, tia de educando).

 

“Muito importante relembrar das histórias que deu origem a nossa liberdade. Não podemos nos esquecer de como foram e continuam sendo a lutas pela liberdade e pelos nossos direitos que infelizmente às vezes são ignorados. Às vezes até mesmo por quem devia respeitá-los” – Jaqueline dos Santos Costa (34 anos, mãe de educandos).