Projeto Axé Brasil

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A influência de Carlos Moraes enquanto maître-de-ballet e educador social

Por Raimundo Simões de Santana*

É importante salientar que Carlos Moraes inaugurou uma nova perspectiva na concepção de Dança e sua relação com os bailarinos na Bahia. Sua contribuição se deu – entre outras tantas coisas – na inserção de bailarinos negros em companhias profissionais de dança, a partir da década setenta, como também na primeira e única Academia de Ballet até então existente na cidade, a Escola de Ballet do Teatro Castro Alves (EBATECA).

Em seguida, Carlos Moraes foi convidado a trabalhar como coreógrafo do Grupo Viva Bahia, cuja diretora era a professora e etnomusicóloga Emília Biancardi e a partir daí se insere na cidade, no mundo da Dança da Bahia, transitando não só entre os Grupos Folclóricos, mas também em espaços privados de formação em Dança.

Carlos Moraes percebe o talento dos capoeiristas do Grupo Viva Bahia os leva para a EBATECA, fundando Ballet Brasileiro da Bahia e revolucionando literalmente a constituição dos corpos de ballet na cidade de Salvador, cujo o elenco masculino passa a ser basicamente de jovens negros, oriundos da capoeira, enquanto que marcam presenças no elenco bailarinas, brancas, muitas de classe média alta. Esta atitude de caráter emancipatório, consolida os princípios defendidos neste artigo.

Segundo Gilmar Sampaio, bailarino do Ballet do Teatro Castro Alves, a primeira riqueza foi trazer o pessoal da capoeira pra dentro da escola de Ballet. (In: Figuras da Dança 2010, Direcão de Ines Bogéa e Moira Toledo. Vídeo disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=fSjz2FSO6eQ (Acesso em 06 de novembro de 2020)

Outra contribuição que demonstra um impacto cultural e social, na cidade de Salvador, é identificar que muitas bailarinas e bailarinos participantes da sua formação em Dança/Ballet criaram suas escolas e proliferaram seus trabalhos.

A inserção de capoeiristas – o que levava a uma inserção de homens negros – no ambiente do Ballet foi sentida como algo realmente forte e necessário. Segundo o bailarino Luiz Bokanha:

“O sonho de qualquer homem aqui, principalmente naquela época era entrar no Ballet Brasileiro da Bahia, que era como ele falava, como se fosse o Balett Russo, que dançava as coisas folclóricas com a base clássica. Então, aqueles que tinha o jeito da dança afro-brasileira, mas com a técnica de Balett. In: Figuras da Dança 2010, Direcão de Ines Bogéa e Moira Toledo. Vídeo disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=fSjz2FSO6eQ (Acesso em 06 de novembro de 2020)

Admite-se neste artigo que a influência de Carlos Moraes para a Dança na Bahia vem sendo reconhecida ao longo do tempo por muitos de seus pares. É possível afirmar, inclusive, que se desenvolveu um método de ensino a partir de sua prática, incluindo jovens negros na cena do Ballet da Bahia.

*Arteducador do Projeto Axé – Unidade de Dança e Capoeira Augusto Omolu